Resultados 3T20 - Via Varejo por IFS Research

Resumo


Resultado bem forte, mesmo desconsiderando efeito não recorrente, proveniente de crédito de ICMS na base do Pis/COFINS. GMV total foi de R$ 10 bi (+43,41% vs. 3T19), sendo R4,1 bi do online e R$ 5,9 bi físico. Há 1 ano atrás online representava somente 18,45% do GMV Total (vs. 41% no 3T20). Receita de lojas físicas em linha com 3T19 (+8%), mas vale ressaltar que a empresa só passou a operar com 100% da sua capacidade física a partir do dia 20/09. Custos de SG&A representaram 22,3% da receita (vs. 27% no 3T19), fruto do controle das despesas e alavancagem operacional. Margem EBITDA ajustada aos efeitos não recorrentes foi de 8,03% (vs. 5,36% no 3T19). Lucro líquido proveniente da atividade operacional foi de R$ 100 mi (vs. prejuízo de R$ 208 mi no 3T19).


Principais números ajustados ao impacto não recorrente proveniente de créditos tributários reconhecidos no trimestre (e comparação com números da Magazine Luiza):



Desempenho


GMV Total crescendo 43% na comparação anual, impulsionado pelo desempenho excelente do online 1P, que cresceu quase 300% vs. 3T19. Segundo a companhia, 27% do GMV online veio dos apps.

Online 3P cresceu 83% vs. 3T19, atingindo GMV de R$ 849 mi, o que apesar de ser um número razoável, mostra que a empresa ainda precisa percorrer um longo caminho para alcançar o Magazine Luiza (que apresentou GMV no 3P de R$ 2,1 bi).

O lado positivo é que Via Varejo está com aproximadamente 8.000 sellers na sua plataforma, enquanto Magazine Luiza tem 40.000. Ou seja, ainda tem muito espaço para novos sellers na plataforma da Via Varejo.

Empresa tem hoje 7.000 sellers na fila de espera, por isso precisa investir em desenvolvimento, para fechar esse gap.

Take Rate estável nos últimos 4 trimestres e ainda superior ao de Magazine Luiza. Com a entrada de novos sellers, acredito que esse número deve cair.



Receita líquida cresceu 37% vs. 3T19, enquanto CMV subiu 38,45%, fruto de uma política de descontos mais agressiva no período.

Em termos de logística, após a compra da ASAPlog e seus 500 mini-hubs a Via Varejo hoje consegue atuar em 100% do território nacional e, segundo a companhia, 90% das entregas já são feitas em 24h, sendo que 14% das entregas são para terceiros. 50% das vendas online estão saindo direto das lojas, que a empresa tem utilizado como centros de distribuição.




Receita



Caixa


A empresa fechou o trimestre com R$ 7,9bi de caixa, sendo R$ 3,4bi de caixa líquido (descontando a dívida financeira). É um caixa robusto, porém um ponto negativo que podemos olhar pra esse caixa é que R$ 5,7bi correspondem a recebíveis de cartão. Isso seria muito mais problemático no auge da pandemia, mas a empresa já apresentou que a inadimplência fechou o trimestre a níveis pré-pandemia e que os recebimentos do crediário continuam saudáveis. Portanto, nenhuma razão para preocupações por enquanto.



Endividamento e Liquidez


Liquidez melhorou significativamente nos últimos trimestres, fruto principalmente do follow-on e alongamento das dívidas.



Mudança na estratégia com fornecedores tem pressionado o capital de giro, impactando a geração de caixa operacional. Ativo total aumentou quase R$ 8 bi, enquanto passivo pouco menos de R$ 4 bi, com diminuição da conta de fornecedores e aumento expressivo no contas a receber, o que explica o consumo de capital de giro no período.



Aquisições


A Via Varejo fez a aquisição da I9XP, empresa focada em soluções para e-commerce com 120 desenvolvedores que traz mais um time preparado e focada em ampliar o digital da empresa. No curto/médio prazo acho que a empresa poderia abrir mão de rentabilidade, aumentando os custos com SG&A para ampliar o time de desenvolvimento e acelerar as melhorias no e-commerce.

A empresa também comprou uma participação de 16,6% na DISTRITO, plataforma conectada com mais de 300 startups. O foco da Via Varejo aqui é a possibilidade de conectar e trazer inovação para os negócios da empresa via possíveis sinergias no futuro.


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