Política Monetária ineficiente - por Vinicius Guimarães

Introdução Para os que não estão familiarizados com o assunto, a política monetária é a maneira mais assertiva que o Banco Central tem de gerar impacto na economia, na prática e inclusive um exemplo que se prova hoje, o Banco Central do Brasil está aumentando a taxa básica de juros para segurar a inflação. Mas a questão é, o efeito das políticas monetárias no Brasil é relevante?

Inflação de demanda

Estamos em frente à uma situação macroeconômica complicada, 14 milhões de desempregados com a inflação indo em direção aos 9% nesse ano, o que pode parecer contraditório, uma vez na teoria, nas condições normais de pressão e temperatura, a inflação um pouco mais alta seria reflexo de um aumento de produção acompanhado de uma diminuição do desemprego, no entanto não é nosso caso. Hoje vivemos uma inflação de demanda, onde temos uma população que está demandando bens e serviços e as empresas não estão correspondendo nesse mesmo nível de oferta, por que o cenário Brasileiro torna pouco atrativo o investimento do setor privado.

Essa situação faz com que mesmo em circunstâncias de taxa Selic baixa (comparada ao histórico do Brasil), cenário esse que deveria ser mais atrativo para o setor privado, não foi. O risco embutido no nosso país, atrelado a atitudes políticas, faz com que mesmo com uma política monetária mais convidativa ao setor privado, não seja o suficiente. Portanto, nesse aspecto, as mudanças da Selic não conseguem imprimir o efeito que era esperado, e tem mais um problema.

Bancos privados e juros

Diferente de países com um sistema financeiro muito desenvolvido, onde a mudança da taxa básica de juros impacta de fato aquilo que as pessoas pagam de juros, aqui no Brasil a média de juros pagos está muito distante da meta do Copom, além de estar pouco correlacionada com as mudanças. Por exemplo, quando a nossa meta das taxas de juros estava em torno de 14% a.a, a média que era paga de juros ao ano no Brasil rodava na casa dos 56%, depois quando a taxa Selic estava em 2%, a média paga de juros ficava perto de 48% a.a. e é importante analisar que esta média também não reflete exatamente o que a população brasileira paga, por que ela é influenciada pelas taxas baixíssimas que grandes corporações brasileiras pagam, enquanto a população paga juros muito mais altos do que essa média em cheque especial e cartão de crédito.

Queremos ressaltar que nesse artigo não estamos criticando as taxas cobradas pelos bancos, acreditamos que existam diversos fatores na hora da decisão de um banco de escolher qual taxa será cobrada para qual tipo de cliente.

Produto Interno Bruto

O ponto que gostaríamos de chegar explicando essas duas situações é que o Brasil está em uma situação macroeconômica extremamente difícil, onde para aumentar a produção, levando em consideração a ótica da demanda do PIB;

PIB = Consumo das famílias + Investimentos + Gastos do governo + (Exportação – Importação)

O consumo das famílias não parece uma alternativa de incentivo ao PIB, e os Investimentos andam na mesma linha. O real depreciado pode tornar as exportações mais atrativas deixando a balança comercial positiva, mas não é o que resolve nosso problema.

Portanto, a alternativa que aparentemente sobrou para uma recuperação do PIB são os gastos do governo, e seria essa realmente a única alternativa? E se sim, o governo atual, e quem assumirá ano que vem, terão capacidade de lidar com essa situação?

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