Pesquisa Industrial Mensal (08/2021) - por Tarik Mogames

Núcleo de Macroeconomia e Renda Fixa


O objetivo deste relatório é analisar os dados da Pesquisa Industrial Mensal de agosto de 2021, divulgados pelo IBGE no dia 05/10/2021.

A PIM, Pesquisa Industrial Mensal, é uma pesquisa produzida pelo IBGE desde 1970, seu objetivo é produzir indicadores da produção real da indústria de transformação e extrativa.

Indústria geral e extrativa

No mês de agosto de 2021 a indústria geral apresentou uma queda de 0,7% em relação ao mês anterior, julho, mantendo a tendência dos últimos dois meses. Essa queda confirma a tendencia baixista da indústria geral, que ainda busca a recuperação dos efeitos causados pela pandemia.

No acumulado de 12 meses a indústria geral soma um crescimento de 7,2%, já neste ano (janeiro a agosto) o crescimento acumulado foi de 9,2%, confirmando a recuperação gradual da indústria, que acompanha um aumento nas exportações.



A indústria extrativa, vem apresentando uma recuperação gradual neste ano, após uma forte queda em fevereiro que impactou o mercado de extração de matérias primas minerais, o crescimento de 1,3% em relação a julho pode ser um efeito do aumento nas exportações da indústria extrativa, puxado pelo aumento no preço do minério de ferro, que acompanha a recuperação de indústria global.

Ao analisar as grandes categorias econômicas, conseguimos observar a primeira queda, depois de 4 meses positivos, dos bens de capital, de -0,8%. Com uma alta demanda sobre máquinas e materiais de construção, essa categoria vinha crescendo bastante e se recuperando de uma queda de 6,7% em março. A queda do mês de agosto pode representar uma desaceleração dessa recuperação. Os bens intermediários continuam com uma tendência baixista desde março, tendo decrescido 0,6% em agosto.

A situação não é muito diferente com os bens de consumo, após uma queda de 11,4% em março a categoria ainda não apresentou nenhum sinal de recuperação, em agosto uma queda de 0,1% confirmou uma tendência de baixa. A principal queda foi dos bens de consumo duráveis, -3,4% que reitera a baixa no consumo deste tipo de produto, que pode ser um reflexo da falta de prioridade na compra de eletrodomésticos ou carros novos. Já os bens de consumo semiduráveis e não duráveis, apresentaram uma alta de 0,7%, ela pode simbolizar uma leve recuperação, após a queda de 10,2 em março, mas não é muito expressiva e é um reflexo dos efeitos negativos da pandemia, principalmente sobre a indústria têxtil.



Indústria de transformação

A indústria de transformação apresentou uma queda de 0,7% no mês de agosto, representando a terceira queda seguida desde maio, reiterando uma tendência de baixa da produção, mesmo com o aumento das exportações em relação a 2020.

A fabricação de bebidas se destacou em agosto, apresentando um crescimento de 7,6% frente ao mês anterior, que apresentou uma queda de 9,6%. Já a maior baixa na produção ficou para os produtos farmacêuticos, de -9,3%, sendo a primeira queda desde abril. Outras baixas expressivas foram dos produtos químicos, de -6,4%, e dos equipamentos de informática, de -4,2%.

As indústrias de transformação, geralmente, tendem a ter uma recuperação mais lenta que as demais, tendo em vista que ela depende dos recursos produzidos pelas indústrias extrativas para produzir seus produtos. Com a alta do dólar a matéria prima é exportada, o que desincentiva a produção desse tipo de indústria.


Conclusão

A indústria nacional, ainda não se recuperou dos choques causados pela pandemia. A depreciação do Real incentiva a produção da indústria extrativa, que procura exportação de seus produtos, mas desincentiva a produção da indústria de transformação, que precisa da matéria prima, agora mais cara, para produzir seus produtos.

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