IPCA mar/21 - Núcleo de Macroeconomia e Renda Fixa

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,93% em março, abaixo das expectativas do mercado. No que diz respeito aos índices regionais, todas as áreas pesquisadas pelo IBGE registraram altas em março. O resultado de março é o maior resultado para um mês de março desde 2015, quando o índice foi de 1,32%. O IPCA acumulou alta de 2,05% no ano e 6,10% em 12 meses, resultado acima do centro da meta inflacionária estabelecida pelo Banco Central de 3,75% para 2021- sendo que a meta tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos.


Por categorias, a maior alta foi do grupo Transportes (3,81%). As outras altas foram compostas pelos grupos Alimentação e bebidas (0,13%), Habitação (0,81%), Artigos de residência (0,69%), Vestuário (0,29%), e Despesas pessoais (0,04%). Em contrapartida, Comunicação (-0,07%), Saúde e cuidados pessoais (-0,02%), Educação (-0,52%) foram os grupos que apresentaram queda no mês.


Com alta de 11,26%, a gasolina foi novamente o item que mais impactou o índice no mês, com participação de 0,60 ponto porcentual no resultado final. Além dela, os preços do etanol (12,59%), e do óleo diesel (12,59%) também subiram. Com isso, os combustíveis acumulam alta de 11,23% no mês. O segundo maior impacto sobre o IPCA do mês veio do grupo Habitação (0,81%), principalmente devido ao gás de botijão (4,98%), que acumula alta de 20,01% nos últimos 12 meses, e da energia elétrica (0,76%). Apesar do preço das carnes ter voltado a subir (0,85%), a alta nos preços de alimentos desacelerou em março. Vale ressaltar que, em 2020, os alimentos tiveram alta de 14,09%. A desaceleração dos preços dos alimentos está relacionada à queda da demanda e pode, inclusive, ter influência da suspensão do auxílio emergencial que não foi pago nos primeiros meses do ano, impactando na redução da renda da população.


Além disso, também há relação com uma retenção de consumo por causa das medidas de restrição estabelecidas quanto à circulação de pessoas e funcionamento do comércio, levando a compra de menos alimentos perecíveis.


Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do mês teve alta de 0,86%, acima da taxa de fevereiro, quando havia registrado 0,82%. No ano, o INPC acumula alta de 1,96% e, nos últimos 12 meses, de 6,94%. Em fevereiro de 2020, a taxa foi de 0,17%. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 2,94% em março. Com este resultado o índice acumula alta de 31,10% em 12 meses e 8,26% no ano. Os três componentes do IGP-M apresentaram resultados positivos em março, de modo que o IPA variou 3,56%, o IPC 0,98%, e o INCC 2,00%.


Considerando o núcleo de inflação (IPCA descontado os produtos mais voláteis e mais influenciados pela política monetária) que se encontra em patamares baixos, juntamente com uma atividade fraca, nos levam a acreditar cada vez mais que, ao contrário das expectativas do mercado esperando uma alta de 0,90 ponto percentual, a Selic deve subir 0,75 p.p. como havia sido dito na última reunião do Copom.



91 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo