Relatório Macroeconomia IFS - Economias Emergentes por João Albuquerque

Atualizado: 30 de out. de 2020

A partir de dados coletados sobre economias emergentes nos últimos 40 anos, vemos que o crescimento do PIB brasileiro está abaixo da média dos países da amostra. No período analisado, o Brasil cresceu em média cerca de 2.3% ao ano, muito abaixo da média das economias asiáticas e abaixo de economias sul-americanas significativas como Colômbia, Peru e Chile. Entre o grupo estudado, apenas dois países obtiveram desempenho inferior: Rússia e África do Sul

O investimento, por outro lado, destaca-se negativamente. De 1980 a 2020, o Brasil teve uma média de investimento sobre PIB de 18.86%, consideravelmente abaixo da média dos emergentes, mesmo se excluirmos China e Coréia do Sul. Em linhas gerais, o fenômeno da desindustrialização brasileira comentado frequentemente por acadêmicos e economistas apresenta uma possível causa para o baixo desempenho da indústria brasileira.


Este fenômeno torna-se mais evidente a partir da prolongada crise iniciada em 2014, desde então, os níveis de investimento como proporção do PIB permanecem muito abaixo do período pré-crise. As causas da desindustrialização brasileira são diversas: alta competitividade dos bens industriais chineses, câmbio sobrevalorizado com taxas de juros muito acima da média dos países desenvolvidos e doença holandesa (Bresser-Pereira).

É importante frisar que a situação da indústria nacional se torna mais inquietante quando analisamos as demais médias de crescimento dos últimos 40 anos. Países que investiram mais, apresentaram taxas de crescimento mais elevadas.


Os dados indicam uma correlação positiva entre as variáveis, mas ao analisarmos os casos de Rússia, África do Sul e México, percebe-se que o investimento por si só não explica os diferentes níveis de aceleração entre os países. Para traçar as causas destas diferenças, seria necessário adquirir outros dados referentes à produtividade total dos fatores em cada país da amostra.

Os recentes cortes na Taxa Selic em conjunto com a alta desvalorização do Real podem influenciar positivamente as taxas de investimento e crescimento do Brasil para os próximos anos, a medida que deverá estimular a indústria nacional e forçar, em alguma medida, a substituição de importações. Todavia, dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública e a incerteza em volta das reformas estruturais somam-se com acontecimentos externos, trazendo incertezas que prejudicam o sentimento e a confiança.

Por fim, a retomada da atividade está diretamente relacionada com a retomada do investimento. O país encontra-se abaixo da média dos emergentes, tanto em termos de crescimento quanto em termos de capital, significando uma desvantagem do Brasil em relação aos demais. A reversão dessa tendência torna-se necessária para atração de capital estrangeiro em conjunto com maiores taxa de crescimento para os próximos 10 ou 20 anos.



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