EBTIDA - por Vinicius Balan

Introdução

O EBITDA é uma métrica muito famosa e muito utilizada por analistas do mercado financeiro. De fato, é um indicador muito importante e valioso ao se estudar uma empresa, mas você sabe o que ele representa? Sabe como calculá-lo? Sabe quais são seus pontos positivos e negativos? Neste artigo abordarei os principais tópicos acerca dessa métrica.

O que é EBITDA?

Primeiramente, vamos entender o que significa essa sigla. EBITDA vem do inglês e significa Earnings Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization. Em português esse indicador pode ser chamado de LAJIDA (Lucros Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização). Basicamente, o EBITDA é uma métrica financeira muito utilizada ao analisar a eficiência operacional de empresas, uma vez que exclui da equação impostos, depreciação e amortização (esses dois últimos não possuem efeito caixa) e lucros advindos de aplicações financeiras. Ao calcular o EBITDA temos como resultado uma aproximação da geração de caixa das atividades operacionais da empresa.

Sendo assim, o EBITDA ocupa lugar importante na análise de empresas pois sua evolução indica se as atividades operacionais estão melhorando ou piorando ao longo do tempo. Outra importante característica do EBITDA é que esse indicador permite comparar empresas de diferentes países e diferentes cenários macroeconômicos, uma vez que exclui da conta os impostos e a ação dos juros. No entanto, como todo indicador o EBITDA não deve ser analisado individualmente pois possui algumas limitações que serão mencionadas neste texto.

Como o EBITDA é calculado?

Para calcularmos o EBITDA precisamos primeiro calcular o lucro operacional (EBIT). Segundos as normas de contabilidade brasileira o EBIT deve ser calculado subtraindo, a partir da receita líquida, o custo de mercadorias comercializadas e as despesas operacionais. Ou seja: EBIT = Receita Líquida Operacional – Custos – Despesas.

Após o cálculo do EBIT é necessário adicionar a depreciação e amortização inclusos no custo das mercadorias vendidas e nas despesas operacionais.

Observação:

Note que, para a contabilidade, há uma diferença conceitual entre custos e despesas. Segundo a NPC 2 (Normas e Procedimento de Contabilidade) custo pode ser definido como: “A soma dos gastos incorridos e necessários para a aquisição, conversão e outros procedimentos necessários para trazer os estoques à sua condição e localização atual, e compreende todos os gastos incorridos na sua aquisição ou produção de modo a coloca-los em condições de serem vendidos, transformados, utilizados na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que façam parte do objeto social da entidade, ou realizados de qualquer outra forma”. De maneira simplista, custos são os gastos envolvidos na atividade principal da empresa, sem eles é impossível produzir, oferecer ou entregar determinado produto ou serviço. Exemplos de custos: matéria-prima; energia; salários dos profissionais de produção; equipamentos utilizados na produção; etc.

Por outro lado, as despesas são os gastos necessários para a obtenção de receita das empresas, mas que não estão diretamente envolvidos na manufatura do produto. Exemplos de despesas: Aluguel, pró-labore, internet, impostos, etc.

Lucro operacional (EBIT)

O lucro operacional é aquele gerado na operação da empresa, subtraindo despesas administrativas, comerciais e operacionais. Pode ser calculado da seguinte forma: EBIT = Receita Líquida Operacional – Custos – Despesas.

Depreciação e amortização

A depreciação e a amortização são conceitos que podem parecer complicados, mas não são. A depreciação indica o desgaste dos ativos físicos utilizados na atividade operacional da empresa ao longo do tempo, seja por ação da natureza, humana ou obsolescência. Ou seja, é realizada uma estimativa de quantos anos o bem irá durar até que seu valor esteja totalmente depreciado. Por exemplo, um torno mecânico utilizado na linha de produção de uma empresa tem uma duração de X anos, após esse tempo o equipamento estará depreciado e deverá ser substituído, porém tanto a depreciação quanto a amortização não possuem efeito caixa, ou seja, não há efetivamente saída de dinheiro do caixa da empresa em determinado período e é por isso que ambas são adicionadas na conta do EBITDA.

A amortização segue na mesma linha, no entanto se refere ao valor depreciável de bens intangíveis ao longo do tempo (que também não possui efeito caixa). A diferença básica entre os dois é que a depreciação se impõe sobre ativos físicos enquanto a amortização se impõe sobre ativos intangíveis, como direitos ou despesas com prazo limitado.

EBITDA na Demonstração do Resultado de exercício (DRE)

Receita Operacional Bruta R$10.000,00

(-) Deduções da Receita Bruta (1.000,00)

(=) Receita Operacional Líquida 9.000,00

(-) Custo dos produtos vendidos (2.000,00)

(=) Lucro Bruto 7.000,00

(-) Despesas Operacionais (1.500,00)

(-) Despesas com vendas (500,00)

(-) Despesas gerais administrativas (1.000,00)

(=) Lucro operacional (EBIT) 4.000,00

(+) Depreciação e Amortização 1.000,00

(=) EBITDA 5.000,00

(=) Margem EBITDA 55,55%

Podemos confiar no EBITDA?

O EBITDA é um bom indicador da evolução da eficiência operacional da empresa, no entanto essa métrica não é muito verdadeira em relação à geração de caixa da companhia, isso porque ela pode fornecer falsas análises. Por exemplo, se o gestor de uma empresa se alavanca de forma agressiva, gerando prejuízo a fim de financiar suas atividades operacionais, o EBITDA continuará positivo (pois em sua equação não são considerados os financiamentos), fornecendo a falsa sensação de que a empresa está financeiramente saudável.

Além do problema da geração de caixa o EBITDA também não leva em consideração o investimento em CAPEX (Capital Expanditure) que deverá ser feito quando os ativos se depreciarem totalmente. Dessa forma, indústrias que necessitam de muito CAPEX podem ser analisadas de maneira errônea, uma vez que esse investimento massivo deixa de ser considerado no indicador.

Apesar dos problemas e limitações do EBITDA, ainda podemos utilizar esse indicador para analisar a evolução da eficiência e produtividade de certa empresa ao longo dos anos e em comparação com seus concorrentes. Também é uma métrica muito útil para analisar empresas de diferentes países ou setores. Entretanto é sempre importante ressaltar que nenhum indicador financeiro deve ser analisado de maneira isolada.

Resumo

O EBITDA representa os lucos antes dos juros, impostos, depreciação e amortização. É um indicador muito utilizado no mercado financeiro para analisar a eficiência operacional e produtividade das empresas, no entanto possui algumas limitações. O EBITDA é calculado adicionando a depreciação e amortização ao EBIT (lucro operacional) e pode ser utilizado para comparar empresas de diferentes países e setores. Por mais que seja uma boa métrica de análise suas limitações podem fornecer falsas impressões da saúde financeira da empresa, por isso, em hipótese alguma, devemos analisar indicadores isoladamente.

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