Credit Default Swap (CDS) por Matheus Garutti e Pedro Guedes

O que é?

É um título derivativo que funciona como um seguro para evitar inadimplência em uma operação de crédito. Dessa forma, o CDS oferece proteção para quem procura proteger uma carteira de crédito, através de uma seguradora que emite o título e assume a função de garantir o valor investido caso haja calote.

Como funciona?

Nesse tipo de operação, um agente faz um pagamento à uma contraparte para que ela lhe indenize caso um emissor deixe de honrar um compromisso.

Risco do país e CDS

A cotação dos CDS também costuma ser usada como uma referência para o Risco País ou, no nosso caso, Risco Brasil. Afinal, quando seus preços aumentam por conta de uma maior procura (logo, maior demanda por proteção), isso indica que o risco de um determinado país também está em alta.

Como cada país tem um índice de risco, a comparação dos valores dos contratos é bem distinta. Dessa forma, os CDS dos Estados Unidos normalmente são os mais baratos, isso porque o país tem o menor risco de default.

Utilização

Usados principalmente por investidores institucionais, como fundos de investimento e seguradoras, eles são negociados no mercado de balcão. Portanto, possuem pouca regulamentação ou padronização.

O preço de um CDS está relacionado com a probabilidade de um país não pagar as suas dívidas. Quanto maior o risco de crédito deste país, maior o valor do CDS. Quem determina o risco do país são os agentes que atuam neste mercado (investidores e possíveis compradores do risco de CDS).

Quando há um aumento da desconfiança em um país, maior será o prêmio pago pelo comprador. Isto quer dizer que quanto maior o CDS, maior o risco de default e maior a taxa de juros que um país tem que pagar para que o mercado compre seus títulos. Cada país tem o seu o seu nível de risco, sendo os dos EUA o menor risco de default. Nesse quesito, o CDS funciona como um termômetro de confiança do mercado em um país.

Exemplo prático

Imagine que um país, Brasil por exemplo, venda um título público pelo valor de US$ 10 milhões para pagamento em 5 anos. O banco Itaú compra esse título e, para se proteger de um eventual calote, vai até uma seguradora a procura de proteção contra o não pagamento deste título. A seguradora, por sua vez, faz a análise de crédito do país (Brasil, nesse caso) e decide cobrar 5 % do total da dívida (US$ 100 mil anuais) para lhe oferecer um CDS. Ao final destes 5 anos, no dia do vencimento do título público, caso o Brasil entre em default, ou seja, não honre o pagamento, quem irá pagar os US$ 10 milhões para o Banco Itaú será a seguradora. Caso o Banco receba normalmente o valor devido pelo país, ele perde o prêmio pago. Já a seguradora, não realiza nenhum pagamento ao Itaú e lucra os US$ 500 mil da operação.

O exemplo acima é só uma simplificação do funcionamento de um CDS. Este instrumento financeiro é negociado no mercado de renda-fixa em lotes de US$ 10 milhões de dívida do país de referência (Brasil). No contrato fica estabelecido que o comprador (Banco Itaú) irá periodicamente efetuar um pagamento pela proteção ao vendedor da proteção (Seguradora). Este montante é normalmente determinado em basis points (pontos base). Cada basis point é o montante anual de proteção que o comprador tem que pagar pela proteção do vendedor durante toda a duração do contrato e representa 1/100 de 1% (ou 0,01%) de US$ 10 milhões (ou US$ 1 mil). Portanto, no exemplo acima, este contrato CDS custaria “100 bps” resultante do pagamento anual de US$ 100 mil do comprador (Banco Itaú) para o vendedor da proteção (Seguradora). Estes pagamentos são feitos enquanto durar o contrato ou caso haja default do emissor da dívida (Brasil).

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