Atividade Econômica 03/2021 - Núcleo de Macroeconomia e Renda Fixa

Núcleo de Pesquisa Econômica e Renda Fixa


Em meio à segunda onda da pandemia do Covid, com novas restrições de mobilidade adotadas no país, a atividade econômica recuou no mês de março. O IBC-Br teve queda de 1.6% na comparação com o mês anterior, acima da expectativa do mercado, que esperava um recuo por volta de 3.4%. No trimestre, observa-se um crescimento de 2.4% contra o trimestre anterior, findado em dezembro de 2020.


De fato, apesar de um crescimento considerável no escopo trimestral, a atividade econômica merece ser observada nos períodos subsequentes, dado que a reabertura da economia depende diretamente do andamento da vacinação, somado a um risco iminente de uma terceira onda da pandemia de Covid.


Produção Industrial


No segundo mês de queda, a produção industrial de março apresentou queda de 2.44% com relação à fevereiro - o esperado era -3%. O gerente da pesquisa, André Macedo, explica que o aprofundamento do recuo do setor, em março, está relacionado à intensificação das medidas de combate ao novo coronavírus.


Nos últimos 12 meses, o setor acumula queda de 3.1%, e em comparação a março do ano passado a indústria acumula 10.5% de queda (resultado de baixa base de comparação por conta das medidas de prevenção ao coronavírus neste período). Neste ano, a indústria já acumula um crescimento de 5.2%.


Com o avanço da segunda onda do coronavírus e com medidas de proteção mais severas, a indústria de transformação, principal subsetor da indústria, apresentou uma queda de 3.19% em março. Já a indústria extrativa teve um crescimento de 5.5% no mesmo período, provavelmente puxada pelo crescimento na exportação de algumas commodities, como o minério de ferro.


Quando olhamos para as categorias econômicas da indústria, notamos que os bens intermediários cresceram apenas 0.2% neste mês, mostrando uma pequena desaceleração nesta categoria. Já os bens de consumo sofreram uma queda expressiva neste mês, de 11%. Esta queda foi puxada principalmente pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis, que caíram 10.2% em relação a fevereiro.



Serviços


Após uma situação que parecia ser de recuperação em fevereiro, em março observamos uma queda de 4% nos serviços em relação ao mês anterior. No entanto, se comparado a março do ano passado o resultado foi um aumento de 4.5%, e deve ser levado em consideração que o tempo de recolhimento no mês analisado em 2021 foi maior do que em 2020. A expectativa era realmente que houvesse uma piora na comparação MoM por conta das restrições impostas pelo Covid, mas conseguiu obter um desempenho melhor do que março do ano passado, justamente pelo fato de que a pandemia começou nesse mês em 2020.


Olhando dentro dos segmentos de serviços, Serviços Prestados às Família puxou o índice para baixo. O segmento apresentou queda de 18.6%, comparando com março de 2020, acumulando queda de 25% no ano e 39.7% nos últimos 12 meses. Ainda dentro deste setor, o que mais prejudicou foi a parte de alojamento e alimentação.


Os segmentos de Transportes, serviços auxiliares aos transportes avançou 7% em março, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, acumulando alta de 2.8% no ano. Serviços Profissionais, administrativos e complementares recuou 0.3% comparando com março de 2020, acumulando queda de 2.9% no ano. Juntos, esses dois segmentos respondem por 52% do índice.


O destaque vem para Serviços de informação e comunicação, segmento que responde por 34% do índice, onde conseguiu desempenhar positivamente. No mês de Março, apresentou crescimento de 6.2% comparando com o mesmo mês do ano anterior, onde acumula alta de 3.4% no ano, porém ainda segue em queda de 0.9% no acumulado dos últimos 12 meses. Com isso, entendemos que as condições de restrição dificultam os serviços que precisam de interação presencial, porém muitos trabalhos foram adaptados ao home office, onde as pessoas utilizarão diversos serviços de tecnologia que antes não eram utilizados, fazendo com que segmentos como Serviços de Informação e Comunicação venham melhorando seu desempenho.


Olhando para o aspecto regional, o Centro-Oeste apresentou bom desempenho, mais especificamente no estado do Mato Grosso do Sul, onde apresentou um crescimento de 38.1% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado, resultando em um crescimento de 24.6% da região, na mesma base de comparação. Vale ressaltar que o estado do Mato Grosso do Sul obteve o segundo melhor desempenho do país, com um crescimento de 19.5% na comparação YoY.


Agora na região Nordeste, seguindo o que aconteceu no mês de fevereiro, novamente foi a que apresentou pior desempenho, com queda de 1.8% na comparação com março do ano passado, sendo assim a única região que apresentou queda nessa estatística. Com isso, a região acumula queda de 6.4% no ano, sendo a região que mais apresenta impactos resultantes das restrições impostas pela pandemia. Já a região Centro Oeste, acumula alta de 7.4% no ano, mostrando bons sinais de recuperação no setor de serviços.



Varejo

O setor de varejo restrito obteve queda de 0.6% no mês de março com relação a fevereiro, devido ao lockdown implantado mediante a evolução da pandemia, acarretando no fechamento do comércio novamente. Entretanto, obteve alta de 13.8% com relação a março de 2020. Esse crescimento mais elevado se comparado com os demais meses de 2021, se deve pela extrema queda que o setor apresentou em março do ano passado, dado o início da pandemia. No mês de março, o setor de Supermercados e Alimentos, que corresponde a 29% do índice, teve destaque positivo ao apresentar crescimento de 3.3% na comparação MoM, porém, o setor de Veículos e Autopeças, com peso de 27% no índice teve destaque negativo de 20%.


Com relação ao setor de Supermercados e Alimentos, observou-se crescimento de 3.3%, mesmo em período de Lockdown, por não ter fechado suas portas, sendo consumo necessário da população. Desse modo, apresentando uma grande contribuição para o índice, seu desenvolvimento positivo foi fundamental para não acarretar maior queda no mês de março.


Agora com relação ao setor de Veículos e Autopeças, a queda de 20% teve influência das medidas de restrição adotadas, impossibilitando a abertura dos estabelecimentos e por consequência suas negociações. Sendo assim, o ramo que vinha se reestruturando ao analisar seu crescimento de 8.9% em fevereiro com relação a janeiro de 2021, depara-se novamente com mais restrições e obstáculos para sua recuperação, prejudicando o desempenho do índice.


O varejo ampliado apresentou crescimento de 22.2% com relação a março do ano passado. Essa alta considerável tem grande influência do aumento de 62.2% no setor de Materiais de construções com relação a março de 2020, sendo o crescimento de maior expressividade do setor até o momento, onde apresentou 28.9% e 40.1% de crescimento na mesma base de comparação, em Janeiro e Fevereiro, respectivamente. Materiais de construção vem desempenhando bem, acumulando 26.7% de alta nos últimos 12 meses.


Apesar da queda de 0.6% no índice, seu resultado ainda foi melhor do que o previsto, onde era esperada uma queda de 5.6% para o mês. Esse dado desempenhou dessa maneira devido ao setor de Supermercados tendo compensado a queda de Veículos e Autopeças, contribuindo para uma retomada gradual e paciente do varejo no ano de 2021.


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